sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Sheol
Onde o mar arrebenta, morena
Descansando meus pés sobre os seus,
Há uma alma que ostenta, serena
O refúgio escondido do adeus.
Quando a luz escurece precoce
E entre as pernas cultiva-se adrede,
A donzela de vestes mais sujas
É de todas mais bela semente.
Porque grito é canto bendito
E suor castiçal da igualdade,
Palavrões pastoreiam gemidos
Em um hino de liberdade.
Contemplemos a morte, morena
Contemplemos o elã, saciedade
Guardo aqui sua alma roubada,
Guarde em si meu olhar de maldade.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Fragmentos
Na quina do horizonte plantei esperanças hostis,
Pedaços de risos e memórias incompletas.
Lancei minha velhice inda não manifestada
E dela extraí algo que seria um homem, que quando criança não seria.
Na quina do horizonte perdi as aparências mais puras
Caídas dos furos de um bolso eremita.
Tomei por perfeito um erro mal feito
E edifiquei na bateia meu devenir intangível.
Na quina do horizonte há seios chupados. Cheiros suados, despidos de pudor.
Há corpos surrados. Corpos surrados.
Na quina do horizonte, no vértice do tempo, compreendi o sentido do nada e respirei a liberdade da descrença.
Cabelos caídos, lençóis não dormidos e dores de parturiente, na quina do horizonte.
Encontrei o fim e o começo, onde navios virão a pique e estradas terão fim.
Na quina do horizonte não é primaz o tempo e toda morte ocorre em um segundo, alimentando d’alma água e pão.
Consolam escombros
Na quina do horizonte, na quina do horizonte, na quina do horizonte.
Na quina do horizonte, na quina do horizonte, na quina do horizonte.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Tangente ou vértice
I
Nirvana. Ayahuasca de vida.
Miríades de espíritos.
Caminhantes almas encarnadas.
Busca incessante de si.
Grânulos de existência, cosmo
Energia e consciência, o Todo
Plenitude e essência comuns.
Teias e destinos de afinidade.
II
Passos. Passos a leste do Reno. Passos de mãe, passos mulher, passos ferinos.
Leves em sua firmeza e suas sardas cítricas. Passos vestidos de flores e de branco.
Passadas brancas, invariavelmente brancas.
Passeio tropical, passos altivos.
Alquebrados, ressabiados, passos menino.
Passos ombro, colo amigo e paladar. Passos perigo, passos de dar.
Cheiros e cicatrizes. Entalhes comuns. Vetores.
Bocas úmidas. De gosto ácido e doce a fala ausente.
Não nos vemos, reconhecemos.
Histórias, quantas histórias. Prantos e risos, flores e libidos. Fotografias.
Memórias, tantas memórias. De Berlim e de São Jorge, de Paris e de Sevilla, de Arraial e da Paulista, de Brasília... E desejos de Antártida.
Permeia fantasias o bom papo num Café. Ele expresso duplo e água, ela cappuccino.
Povoa o imaginário um escambo de segredos, quiçá livros distintos sobre seus travesseiros.
E há uma menina Feliz. E um cãozinho peludo.
Há uma fera escondida detrás de um sorriso.
Há um blefe de pôquer a cada instante
E a miragem de um porto em cada pensamento.
Não nos vemos, reconhecemos.
III
Quimera,
Inexplicável sêmen de saudade
Ou desatino impróprio do viver?
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
pothuin
Há um barco.
Um barco chamado existência.
Há um barco.
Um barco da gaia ciência.
Há um mito.
Um mito detrás do abismo.
Há um mito.
Um mito da saga e dos riscos.
Há uma ponte.
Uma ponte voltada ao horizonte.
Há uma ponte.
Uma ponte força-transcendente.
Há um grito.
Um grito descendo ao abismo.
Há um grito.
Um grito transpassa-infinito.
Há um hino.
Um hino do mito da ponte.
Há um hino.
Um hino do barco e do grito.
Há um barco
No imo do hino infinito.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Bipolar
No princípio há alegria.
Um rosto de paz.
Há sol sobre a cabeça.
Há riso que contagia.
De súbito algo se inicia.
Há ruídos do lado de dentro.
Há um medo que se aproxima.
Um medo que ganha espaço.
A face se transfigura.
Primam tremores físicos.
E os atos tornam-se irascíveis.
E um tornado precipita.
Há uma fúria incontida.
Há pedras lançadas.
Há alguém que remói indômitas fantasias.
Enfim, há um estrondo.
Um orgasmo negro.
Um golpe certeiro sobre mãos estendidas.
Golpe fatal sobre mãos amigas.
E há desespero.
E há dor e há culpa.
Há remorso e choro.
E há um doloroso recomeço.
E germina lentamente nova alegria...
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Música - Let’s go
A curiosidade move o mundo
Quero fazer supermercado com você
De madrugada bem juntinhos ir comprar sabão em pó
É tão difícil essa vida de ser só.
A noite fica tão escura quando chove
Cheiro molhado perde o gosto de anis
Papel de carta e penteadeira de menina
Tudo que é belo está debaixo do nariz.
O cricrilar dos grilos soa tão distante
E as cigarras já estouraram de cantar
Umas ciganas enfeitadas leram alegres minhas mãos
Quem dera eu fosse uma bolha de sabão.
Lará lará, lará lará, lará lará lará, lará lará, lará lará lará lará
Lará lará, lará lará, lará lará lará, lará lará, lará lará lará lará
Ontem espantei uma abelha que voava
E me lembrei das cartas que não escrevi
Dos seus cabelos negros envoltos na toalha
Acho que aquela abelha tinha uma casa.
A minha casa fica na minha cabeça
E em seu sofá você folheia o que lê
Imaginando Beatles cantando pela sala
Então a tiro pra dançar frente a TV.
Voa gérbera minha, voa o meu cravo seu
Deixa seu cheiro de amor pelo ar
Deixe a camisa da Minnie flanar
Que eu deixe o futuro de lado, presente e passado, por um beijo seu.
Lará lará, lará lará, lará lará lará, lará lará, lará lará lará lará
Lará lará, lará lará, lará lará lará, lará lará, lará lará lará lará
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Redução
Sou barro de oleiro, vermelho
Cozido no forno da realidade
Temperado no tempo do vento
Barro pisado, barro que nutre.
Senhor oleiro me afaga a essência
Revira entranhas, expõe referencias
Transforma-me de produto bruto,
Barro que sou, em subproduto.
Sou o que sou seu oleiro!
Barro vermelho, barro vermelho.
Não me transforme em seu espelho.
A porcelana que almeja é frágil,
Dessa nova realidade tenho medo
Seguro estou, enquanto sou, barro vermelho.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Bailarina de escaler (Armada)
Carrego em mim, no tear de meus cabelos,
Manta de carícias e temperos, negra flor
Há em mim a distância de um último suspiro,
Lembranças e sentidos, cheiro e sabor.
Um escaler navega, horizonte que se estende
Olhos janela, olhos de chuva, olhos que sentem
Mar-esperança, tornado voraz, pequeno navio
É peso do corpo que se recorda, gosto tardio.
Quão bela caixinha de música! Bailarina se ergue
Ventos de partida? Brisa. Paz, alívio e refrigério
No contrassenso sentimento, românticos mistérios.
Caminho de bailarina: punhos, pernas e brio
Barquinho escondido no peito, adeus menino
Saudade de amor é fogo, muito queima sua verve.
terça-feira, 19 de julho de 2011
Acordes perdidos
Distante caminha uma sombra intocável
E olhá-la é quase como sentir seu gosto,
Dos beijos, passarão além de desejos?
Ou o cheiro, que a lembrança imagina.
Eis que uma menina parte, ao léu
E sua malícia sustém o firmamento
Longilínea, cabelos negros e pele alva
Mulher encantadora e seus tormentos.
São sete noites que há ordem na desordem,
E sete dias que o sol nasce tardio
São doze noites de confusas decisões
E doze versos que enlevam ao desatino.
Agora são vistos postais de imagens santas
Que se alevantam no arvorar da simpatia
Retratam risos e acordes repetidos
E suas verdades que jamais serão ouvidas.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Regressai
Renova-se o novo, jactante.
Inebriante, parcial e tolo.
Como tudo que se deita, ouro
Como vida que se entrega, aurora.
Certezas, telas vazias
Repletas de escrita ausente,
Entregas mais que displicentes,
Dementes em cautelas frias.
E o héspero exortado clama,
E lençóis tornam-se algemas,
E Aurora ora custa florescer.
E é cama refeita a penas,
Desenlaço de quem desama,
Crisálida a refazer.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Intellexi tandem
Sou mais Neruda que Nietzsche, prefiro amor a descrença.
Sou Pessoa ortônimo existencialista
Sou Fernando heterônimo que vê.
Sou Lispector impulsiva
Sou Clarice a transcender.
Sou muitos escritores
Sou cantores e atores.
Sou naufrágio na leitura
Sou escrita inconsequente.
Sou descoberta do rádio
Sou cinema dormente.
Sou Coralina infância e receitas
Sou Cora desprendimento.
Sou Amado menino de areia
Sou Jorge compadre de Ogum.
Sou Moraes poeta imanente
Sou Vinícius incandescente.
Sou Frota alter ego
Sou Adriana materna Maria.
Sou somente o que sou
Sou amor por amor.
Sou chegadas
Sou partidas.
Sou amigos e amigas
Sou afagos e feridas.
Sou todos que magoei
Sou aqueles que perdoei.
Sou mãe, pai e avô
Sou fraternal amor.
Sou minha mãe quando chora
Sou meu pai quando ri.
Sou coração de minha mãe
Sou olhar de irmã mais velha.
Sou sorriso de sobrinhos
Sou expectativa de filhos.
Sou tios primos parentes
Sou família simplesmente.
Sou amor pelas mulheres
Sou mal e bem-me-queres.
Sou Princesas, Rainha e Imperatriz
Sou delas orgulhoso aprendiz.
Sou insensatez da busca
Sou grilhões e descobertas.
Sou reencarnacionismo
Sou esperança em Cristo.
Sou tudo que preciso
Sou feliz, só isso.
Sou Pessoa ortônimo existencialista
Sou Fernando heterônimo que vê.
Sou Lispector impulsiva
Sou Clarice a transcender.
Sou muitos escritores
Sou cantores e atores.
Sou naufrágio na leitura
Sou escrita inconsequente.
Sou descoberta do rádio
Sou cinema dormente.
Sou Coralina infância e receitas
Sou Cora desprendimento.
Sou Amado menino de areia
Sou Jorge compadre de Ogum.
Sou Moraes poeta imanente
Sou Vinícius incandescente.
Sou Frota alter ego
Sou Adriana materna Maria.
Sou somente o que sou
Sou amor por amor.
Sou chegadas
Sou partidas.
Sou amigos e amigas
Sou afagos e feridas.
Sou todos que magoei
Sou aqueles que perdoei.
Sou mãe, pai e avô
Sou fraternal amor.
Sou minha mãe quando chora
Sou meu pai quando ri.
Sou coração de minha mãe
Sou olhar de irmã mais velha.
Sou sorriso de sobrinhos
Sou expectativa de filhos.
Sou tios primos parentes
Sou família simplesmente.
Sou amor pelas mulheres
Sou mal e bem-me-queres.
Sou Princesas, Rainha e Imperatriz
Sou delas orgulhoso aprendiz.
Sou insensatez da busca
Sou grilhões e descobertas.
Sou reencarnacionismo
Sou esperança em Cristo.
Sou tudo que preciso
Sou feliz, só isso.
quarta-feira, 16 de março de 2011
O sentido das coisas
Não pare. Por favor, não pare. A caminhada somente se inicia. (1)
Não pule. Por favor, não pule. Esse abismo não tem fim. (1)
Seu sofrimento é só seu. Seu sofrimento é só seu. Seu sofrim... (2)
Não morra. Por favor, não morra ainda. Terá de recomeçar. (1)
Seu conflito dele partilho. (1)
Nada que existe existe. Tudo que se sabe é mera ilusão. (2)
Então, para que as rosas? Por que cultivar as flores? E os livros, de que servem? (1) (2) (3)
Sou bicho. Um animal bicho homem. (3)
Sou nada e o nada que sou me consome. (3)
Não pule. Por favor, não pule. Esse abismo não tem fim. (1)
Seu sofrimento é só seu. Seu sofrimento é só seu. Seu sofrim... (2)
Não morra. Por favor, não morra ainda. Terá de recomeçar. (1)
Seu conflito dele partilho. (1)
Nada que existe existe. Tudo que se sabe é mera ilusão. (2)
Então, para que as rosas? Por que cultivar as flores? E os livros, de que servem? (1) (2) (3)
Sou bicho. Um animal bicho homem. (3)
Sou nada e o nada que sou me consome. (3)
terça-feira, 15 de março de 2011
O grupo de 05 poemas que segue, de Afinidade a Indecisão, é fruto de uma brincadeira realizada no facebook. No site escrevi a frase: “Alguém me dá um tema para escrever um poema?”. Vários foram os temas apresentados e, respondidos de inopino, geraram poemas crus. Crus e imperfeitos, poemas nus. Selecionados, alguns foram um pouco remodelados para a postagem no blog, retirando-se erros mais grosseiros e expressões desconexas.
Todavia, tratando-se de temas propostos por diferentes pessoas, com diferentes crenças e conceitos, não posso dizer exatamente que reflitam, em sua totalidade, meu modo de ver o mundo. São materializações de anseios postos, alguns em consonância outros servidos a la carte. Seguem com as devidas ressalvas. Salvam-se alguns... creio eu.
Todavia, tratando-se de temas propostos por diferentes pessoas, com diferentes crenças e conceitos, não posso dizer exatamente que reflitam, em sua totalidade, meu modo de ver o mundo. São materializações de anseios postos, alguns em consonância outros servidos a la carte. Seguem com as devidas ressalvas. Salvam-se alguns... creio eu.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Afinidade
Aquele olhar que me compreende
Ao largo dos olhos e da verdade
Olhar que busca o encontro ausente
No cio mudo da afinidade.
Aquele olhar que meus beijos rouba
E as roupas despem a seu piscar
É o mesmo atroz que traz fogo a boca,
Faz terra tremer o seu sibilar.
São sardas e pintas sobre alguma mesa,
São camas cobertas ou o chão que há.
Nada mais que histórias a se recordar.
Vencida à luz do dia a virilidade,
E o surto momentâneo de ver-te passar:
Minuendo instante de felicidade.
Ao largo dos olhos e da verdade
Olhar que busca o encontro ausente
No cio mudo da afinidade.
Aquele olhar que meus beijos rouba
E as roupas despem a seu piscar
É o mesmo atroz que traz fogo a boca,
Faz terra tremer o seu sibilar.
São sardas e pintas sobre alguma mesa,
São camas cobertas ou o chão que há.
Nada mais que histórias a se recordar.
Vencida à luz do dia a virilidade,
E o surto momentâneo de ver-te passar:
Minuendo instante de felicidade.
Melancolia
Eis que vejo este anel de brilhante
Envolto em ouro branco a beldade,
Fez da dúvida certeza instante
Graal de amor e fidelidade.
Selados votos sob manto público
E a pura toga da bel castidade,
Brilho transmuto, noite porvir,
Que a aurora encerra com fealdade.
Do riso ao pranto, a covardia
Das rosas ao fel, uma ironia
A dor crescente, o dia a dia.
E é moribundo o amor selado,
Vai-se sem respeito, jaz na picardia,
Restam-lhe a mágoa e a melancolia.
Envolto em ouro branco a beldade,
Fez da dúvida certeza instante
Graal de amor e fidelidade.
Selados votos sob manto público
E a pura toga da bel castidade,
Brilho transmuto, noite porvir,
Que a aurora encerra com fealdade.
Do riso ao pranto, a covardia
Das rosas ao fel, uma ironia
A dor crescente, o dia a dia.
E é moribundo o amor selado,
Vai-se sem respeito, jaz na picardia,
Restam-lhe a mágoa e a melancolia.
Tudo
No princípio era o Tudo. E tudo se resumia ao Verbo.
Denso, Quântico, Quente, Uno e Incompreensível.
Compadecido e Cheio de amor, o Verbo Se comoveu,
Numa flexão espaço e tempo, a nós, então, acolheu.
Seu fiat lux, Sua mão amiga, separou céu e terra.
Gotículas Dele animaram horizontes, fomos procariontes.
E o Verbo chamou à Luz Dia e à Noite Trevas,
Cessando o calor. Nossa história, então, estreava.
Eis o livro da vida perfeito: ácido desoxirribonucleico.
Guarda escrito aminoácidos mistérios proteicos,
Verdades do tempo e seus mensageiros, ácidos ribonucleicos.
Pelo Amor compadecido, vertebrados transformamo-nos,
Dos mares à terra firme, até quando rastejamos,
Depois de aprender a mamar, evoluímos a humanos.
Denso, Quântico, Quente, Uno e Incompreensível.
Compadecido e Cheio de amor, o Verbo Se comoveu,
Numa flexão espaço e tempo, a nós, então, acolheu.
Seu fiat lux, Sua mão amiga, separou céu e terra.
Gotículas Dele animaram horizontes, fomos procariontes.
E o Verbo chamou à Luz Dia e à Noite Trevas,
Cessando o calor. Nossa história, então, estreava.
Eis o livro da vida perfeito: ácido desoxirribonucleico.
Guarda escrito aminoácidos mistérios proteicos,
Verdades do tempo e seus mensageiros, ácidos ribonucleicos.
Pelo Amor compadecido, vertebrados transformamo-nos,
Dos mares à terra firme, até quando rastejamos,
Depois de aprender a mamar, evoluímos a humanos.
Você
Nascia um menino medroso, o ano era 79,
Ainda sem vestes talares, suas fraldas e berço pobres.
Crescido ora no sul, outrora no centro-oeste,
Dividiu-se entre a cuia e o mundo cão faroeste.
Tantos precoces amigos, mortos imoralmente
Perdidos e sem amor, tomados inconsequentes.
Tantas mulheres amadas, vaidade que o tempo escoa,
Quantas decisões tomadas, vida demente que voa.
Embriagado de furia, abstêmio da insensatez,
Fez da espada guarida: brandí-la não mais convém.
Em terra desguarnecida, vigilância coube-lhe bem.
E segue andarilho em pojos, saltando nos vai e vens,
Por companhia o alforge, lembranças e uns vinténs,
Sabendo que na caminhada, faltar-lhe-á sempre alguém.
Ainda sem vestes talares, suas fraldas e berço pobres.
Crescido ora no sul, outrora no centro-oeste,
Dividiu-se entre a cuia e o mundo cão faroeste.
Tantos precoces amigos, mortos imoralmente
Perdidos e sem amor, tomados inconsequentes.
Tantas mulheres amadas, vaidade que o tempo escoa,
Quantas decisões tomadas, vida demente que voa.
Embriagado de furia, abstêmio da insensatez,
Fez da espada guarida: brandí-la não mais convém.
Em terra desguarnecida, vigilância coube-lhe bem.
E segue andarilho em pojos, saltando nos vai e vens,
Por companhia o alforge, lembranças e uns vinténs,
Sabendo que na caminhada, faltar-lhe-á sempre alguém.
Indecisão
Seres aleatórios em universos randômicos
Paralelando destinos, alforriando encontros,
Desencontrando no traço, morte, amores e ouro,
Surtando no descompasso, alegre de abatedouros.
Amarelinha da vida, um passo em falso alçapão,
Decida-se ou lhe devoro, não há outra solução,
Barco com furo no casco? Não bastará o timão,
É saco furado, vazio, o cheio de indecisão.
Decidir pode ser litúrgico, ou vir de um encontrão,
Muda azimute da vida, qualquer simples solução.
Cerzir histórias do tempo? É linha pura ou linhão!
Nada escapa da morte, tampouco da indecisão,
Do berço a Deus ou Diabo, um ou outro seguirão,
Nada é tão fácil ou difícil, quanto tomar decisão.
Paralelando destinos, alforriando encontros,
Desencontrando no traço, morte, amores e ouro,
Surtando no descompasso, alegre de abatedouros.
Amarelinha da vida, um passo em falso alçapão,
Decida-se ou lhe devoro, não há outra solução,
Barco com furo no casco? Não bastará o timão,
É saco furado, vazio, o cheio de indecisão.
Decidir pode ser litúrgico, ou vir de um encontrão,
Muda azimute da vida, qualquer simples solução.
Cerzir histórias do tempo? É linha pura ou linhão!
Nada escapa da morte, tampouco da indecisão,
Do berço a Deus ou Diabo, um ou outro seguirão,
Nada é tão fácil ou difícil, quanto tomar decisão.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Paulista
Bêbados. Bêbados! Miseráveis bêbados.
Pobres bêbados miseráveis.
Miseráveis bêbados pobres.
Pobres. Miseráveis. Bêbados.
Sob marquises fétidas fedem
Escórias da história, escondem-se
Passado silente, ausente
Arrastadas culpas, correntes.
Bêbados, invejo-os com desprezo,
Alienam-se em imensa coragem
Na covardia dos medos.
Bêbado. Eternamente bêbado.
Tão ternas (cruas) verdades nos regem,
Bêbados! Tão livres, tão presos.
Pobres bêbados miseráveis.
Miseráveis bêbados pobres.
Pobres. Miseráveis. Bêbados.
Sob marquises fétidas fedem
Escórias da história, escondem-se
Passado silente, ausente
Arrastadas culpas, correntes.
Bêbados, invejo-os com desprezo,
Alienam-se em imensa coragem
Na covardia dos medos.
Bêbado. Eternamente bêbado.
Tão ternas (cruas) verdades nos regem,
Bêbados! Tão livres, tão presos.
Nonsense
Sua casa distava da minha um cigarro,
Um cigarro de distância nos separava.
Ainda que regados, morreram seus girassóis.
Restaram minhas arrudas, inquebrantáveis.
M'a dit une lesbienne:
Tu baises comme une femme
Me disse uma prostituta chorando:
- Você não poderia ter sido tão canalha assim.
Cantarolava na noite fria ao cheiro de jasmim.
Cantarolava loucamente e via,
Torrentes dementes fluir.
Não mais o mesmo de antes,
As fotos do pedalinho
Jamais andar de bicicleta
Que morram as suas bonecas
Se percam em botequins.
Sua casa seja um guarda-chuva
De uva ou carmesim
Não quero manchar seu vestido
Meu ego seja um bote
E a morte nosso jardim.
Um cigarro de distância nos separava.
Ainda que regados, morreram seus girassóis.
Restaram minhas arrudas, inquebrantáveis.
M'a dit une lesbienne:
Tu baises comme une femme
Me disse uma prostituta chorando:
- Você não poderia ter sido tão canalha assim.
Cantarolava na noite fria ao cheiro de jasmim.
Cantarolava loucamente e via,
Torrentes dementes fluir.
Não mais o mesmo de antes,
As fotos do pedalinho
Jamais andar de bicicleta
Que morram as suas bonecas
Se percam em botequins.
Sua casa seja um guarda-chuva
De uva ou carmesim
Não quero manchar seu vestido
Meu ego seja um bote
E a morte nosso jardim.
Branca
Branca flor, vestida de bordado e rendas
Despida de medos, segura. Segure minha mão.
Branca flor, saudade não se compara não
Cheiro não se apaga, olhar e gosto, oferendas.
Colo de flor, aconchega meus medos
Pranto aplacado em silêncio, relva de amor.
Colo de flor, conhece minhas fraquezas
Arranca do peito espinho, soluço escondido e dor.
Mãos em pétalas, tocaram meu corpo e mente
Mãos prolíficas, plantaram em mim sementes
Mãos de seiva, teu suco e sangue quentes.
Branca flor, florido esteve este jardim e altar
E jaz dormente, anseia o seu brotar,
Ou dele esquece para não mais lembrar.
Despida de medos, segura. Segure minha mão.
Branca flor, saudade não se compara não
Cheiro não se apaga, olhar e gosto, oferendas.
Colo de flor, aconchega meus medos
Pranto aplacado em silêncio, relva de amor.
Colo de flor, conhece minhas fraquezas
Arranca do peito espinho, soluço escondido e dor.
Mãos em pétalas, tocaram meu corpo e mente
Mãos prolíficas, plantaram em mim sementes
Mãos de seiva, teu suco e sangue quentes.
Branca flor, florido esteve este jardim e altar
E jaz dormente, anseia o seu brotar,
Ou dele esquece para não mais lembrar.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Outono
Outono, outono enfim.
Despida, rota, desnuda de mim. Outono.
Balaios de mim: verdades, dogmas, certezas. Balaios de mim: tristezas.
Folhas secas, tortos galhos, monturos.
Fragmentos, matéria prima, húmus.
Húmus meu, húmus eu. Adubo.
Outono. Outono enfim. Outono.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Aquela presente
Confusa, trazia o passado atado a si.
Vestida de azul. Azul ilusão.
Simplesmente presente, prudente,
Cautela de quem não quer se ferir.
Azul arrastão, azul fantasia, se ria
Daquele que nada lhe parecia ser,
Presa-Liberta, paradoxal chega
De mansinho, sem nem perceber.
E as mãos se entrelaçam novamente
E há risos e dores, torrentes
E histórias de pratos saborosos.
E o sono invade lentamente,
São filmes deixados de lado,
Fragmentos diários, repentes.
Vestida de azul. Azul ilusão.
Simplesmente presente, prudente,
Cautela de quem não quer se ferir.
Azul arrastão, azul fantasia, se ria
Daquele que nada lhe parecia ser,
Presa-Liberta, paradoxal chega
De mansinho, sem nem perceber.
E as mãos se entrelaçam novamente
E há risos e dores, torrentes
E histórias de pratos saborosos.
E o sono invade lentamente,
São filmes deixados de lado,
Fragmentos diários, repentes.
Zurzindo crença II
Todo dia minto. Para sobreviver, minto.
Minto a continuidade da existência sem seus cabelos molhados, escuros e encaracolados.
Minto a razão das coisas sem sua camiseta velha da Minnie em par com minhas golas canoas feitas à tesoura de casa.
Anos se passaram, finjo ver seu sorriso infantil. Adorável:
– Paaaaara!!!
– De que?
– De ficar me olhando assim.
– Assim como?
– Assim desse jeito, com essa cara de bobo, fixamente.
– Não consigo.
Simplesmente não consigo ainda. Até hoje.
Quantas vezes, daquele seu sonzinho prata (que você comprou com seu primeiro salário), Beatles, Maria Bethânia, Nana Caymmi e outros testemunharam nosso cortejo? Dançávamos e ríamos na minúscula sala, fria, de paredes descascadas e móveis baratos, alguns doados, que ornavam nosso salão festivo na ilusão do momento, nossa dança de amor.
Quanto chamei por você, quanto medo tive?
Quantas chamei de você?
Quanto orei, cantei, supliquei por você?
Colecionando juras, sigo. Jurando em vão.
Tudo em vão.
Pecador contumaz não tem perdão.
Minto a continuidade da existência sem seus cabelos molhados, escuros e encaracolados.
Minto a razão das coisas sem sua camiseta velha da Minnie em par com minhas golas canoas feitas à tesoura de casa.
Anos se passaram, finjo ver seu sorriso infantil. Adorável:
– Paaaaara!!!
– De que?
– De ficar me olhando assim.
– Assim como?
– Assim desse jeito, com essa cara de bobo, fixamente.
– Não consigo.
Simplesmente não consigo ainda. Até hoje.
Quantas vezes, daquele seu sonzinho prata (que você comprou com seu primeiro salário), Beatles, Maria Bethânia, Nana Caymmi e outros testemunharam nosso cortejo? Dançávamos e ríamos na minúscula sala, fria, de paredes descascadas e móveis baratos, alguns doados, que ornavam nosso salão festivo na ilusão do momento, nossa dança de amor.
Quanto chamei por você, quanto medo tive?
Quantas chamei de você?
Quanto orei, cantei, supliquei por você?
Colecionando juras, sigo. Jurando em vão.
Tudo em vão.
Pecador contumaz não tem perdão.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Zurzindo crença
Memórias. Estão se apagando. emórias. Derretendo. emória. Desvinculando. mória. Descalça. móri. Desnuda. mór. Liberta. ór. Asas. ó. Vôo nu.
Ainda há dor. Alegria. Raiva. Ainda há cheiro, tato e paladar. Ainda há um mar em mim. Enfim descubro, este mar sou Eu. Nada mais há de seu aqui. Ponha-te para fora, bata a terra dos pés e deixe de existir, eterna e ternamente. Em paz. Enfim.
Ainda há dor. Alegria. Raiva. Ainda há cheiro, tato e paladar. Ainda há um mar em mim. Enfim descubro, este mar sou Eu. Nada mais há de seu aqui. Ponha-te para fora, bata a terra dos pés e deixe de existir, eterna e ternamente. Em paz. Enfim.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
As coisas
Fenece. Tudo que nasce, fenece.
Fenece. Sinal bom, olhos luzentes.
Fenece. Brilho opaco, amarga sina.
Fenece. Se vivo fora, fenece.
Fenece. Inté a fênix minha, fenece
Fenece. Guardada na caixa-peito,
Fenece. “Artura” do vôo e do tombo,
Fenece. Féretro-peito. Espoca e pumba.
Fenece. Tudo que nasce, fenece.
Fenece. Aurora termina em noite.
Fenece. Garrafa que jaz vazia. Gemido mudo.
Fenece. Tudo, nascido, fenece.
Fenece. Cremos: Valha-nos Divino!
Fenece. Nascido sou: feneço em mim (fim).
Fenece. Sinal bom, olhos luzentes.
Fenece. Brilho opaco, amarga sina.
Fenece. Se vivo fora, fenece.
Fenece. Inté a fênix minha, fenece
Fenece. Guardada na caixa-peito,
Fenece. “Artura” do vôo e do tombo,
Fenece. Féretro-peito. Espoca e pumba.
Fenece. Tudo que nasce, fenece.
Fenece. Aurora termina em noite.
Fenece. Garrafa que jaz vazia. Gemido mudo.
Fenece. Tudo, nascido, fenece.
Fenece. Cremos: Valha-nos Divino!
Fenece. Nascido sou: feneço em mim (fim).
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Pessoalmente
Minha arte é ignota,
Vazia, Rota.
E sua falta de conteúdo
É o nada.
O vazio do autor inerte.
Arte inerte, vale nada.
Vida morta, inacabada.
Que arte é esta, então, inanimada?
É arte não. É nada.
Vazia, Rota.
E sua falta de conteúdo
É o nada.
O vazio do autor inerte.
Arte inerte, vale nada.
Vida morta, inacabada.
Que arte é esta, então, inanimada?
É arte não. É nada.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Modelo (In)Comum
Vestida de sorriso flana,
Perdida, em meio a certezas
Plena como vinho que transborda,
Forte qual moral de realeza.
Ora luz, ora graça, a envolvem
Ora fúria letal, profundezas
Sendo fêmea voraz num instante
Alva flor, pura delicadeza.
Felina pelagem negra, sonha
Essencialmente humana, ama
E no íntimo esconde tristezas belas.
Suor em gotas: sua aquarela!
Arfando desejos, unhas e dentes,
Verdades pungentes talhadas nela.
Perdida, em meio a certezas
Plena como vinho que transborda,
Forte qual moral de realeza.
Ora luz, ora graça, a envolvem
Ora fúria letal, profundezas
Sendo fêmea voraz num instante
Alva flor, pura delicadeza.
Felina pelagem negra, sonha
Essencialmente humana, ama
E no íntimo esconde tristezas belas.
Suor em gotas: sua aquarela!
Arfando desejos, unhas e dentes,
Verdades pungentes talhadas nela.
domingo, 1 de agosto de 2010
Amizade
O bloco de 4 poemas que segue, postados 01/08/2010, foram talhados em favor de uma grande amiga, entregues à essa durante 4 momentos difíceis de sua vida.
O primeiro, "Parcial", trata dos desdobramentos internos/externos do término de uma relação.
O segundo, "Drimonclape", aborda a descoberta fortuita de uma gravidez.
O terceiro, “Petrus Eni”, da alegria, após o susto inicial, inerente à gestação.
O quarto e último, "Ave Maria", de um momento inconsolável, a perda da querida Mãe.
Formam, em verdade, uma declaração de amor fraterno a Adriana, dileta companheira de conflitos existenciais, à qual renovo meu carinho e respeito.
O primeiro, "Parcial", trata dos desdobramentos internos/externos do término de uma relação.
O segundo, "Drimonclape", aborda a descoberta fortuita de uma gravidez.
O terceiro, “Petrus Eni”, da alegria, após o susto inicial, inerente à gestação.
O quarto e último, "Ave Maria", de um momento inconsolável, a perda da querida Mãe.
Formam, em verdade, uma declaração de amor fraterno a Adriana, dileta companheira de conflitos existenciais, à qual renovo meu carinho e respeito.
Parcial
Estarei aqui de braços abertos
Ouvidos atentos, olhar inquieto
Sem balança ou pêndulo,
Sem juízo ou sentença.
Serei a sombra de sua vontade
Oposta na consolação do verbo
Ditada pelo acalanto e o cafuné
Mormaço ou brisa, como quiser.
Importam-me pouco suas travessuras,
Preocupam-me seus joelhos ralados,
Pois as vidraças quebradas consertaremos.
Esquecerei o politicamente correto,
Não sou Santo para manter tais mesuras,
Basta-me contemplar sol em seu poente.
Ouvidos atentos, olhar inquieto
Sem balança ou pêndulo,
Sem juízo ou sentença.
Serei a sombra de sua vontade
Oposta na consolação do verbo
Ditada pelo acalanto e o cafuné
Mormaço ou brisa, como quiser.
Importam-me pouco suas travessuras,
Preocupam-me seus joelhos ralados,
Pois as vidraças quebradas consertaremos.
Esquecerei o politicamente correto,
Não sou Santo para manter tais mesuras,
Basta-me contemplar sol em seu poente.
Drimonclape
Eu sou Clara, sou Pedro. Eu sou Segredo.
Sou o receio de minha mãe, ora medo.
Sou esperanças de vovó Maria, só alegria.
Essência láurea, lava e alma da Montanha fria.
Num átimo me fiz presente, tão de repente.
Furor que não se conteve, algo ardente...
Pungente e conseqüente, sem picardia.
Sem culpa, sem desrespeito, sem revelia.
Sou Vida que regenera aos que me concebem,
Amor que não se mensura, perdão a quem não o pede,
Sou muito, do bom ou ruim, que vos guarnece.
E venho bem de mansinho no ventre de minha amada,
Aguardo a seus carinhos, seus versos e presepadas,
Pois transmutarei em Tudo, aquilo que era o Nada.
Sou o receio de minha mãe, ora medo.
Sou esperanças de vovó Maria, só alegria.
Essência láurea, lava e alma da Montanha fria.
Num átimo me fiz presente, tão de repente.
Furor que não se conteve, algo ardente...
Pungente e conseqüente, sem picardia.
Sem culpa, sem desrespeito, sem revelia.
Sou Vida que regenera aos que me concebem,
Amor que não se mensura, perdão a quem não o pede,
Sou muito, do bom ou ruim, que vos guarnece.
E venho bem de mansinho no ventre de minha amada,
Aguardo a seus carinhos, seus versos e presepadas,
Pois transmutarei em Tudo, aquilo que era o Nada.
“Petrus Eni”
Já não há mais segredo, sou Pedro
Dissiparam-se as dúvidas e o medo
Vó Maria me embala nominalmente
Sou mais que células, sou gente.
Eu sonho com bola e travessuras,
Discotecagem a noite para ninar,
Fernando Pessoa a questionar,
Aprendizado de amor e amarguras.
O tempo dos curtas encolherá
Suaves leituras tornar-se-ão raras
E recompensarei engatinhando.
Aos poucos balbuciarei gemidos
Levantarei a espinha, abrirei os ouvidos
Serei vocês em mim, perpetuando.
Dissiparam-se as dúvidas e o medo
Vó Maria me embala nominalmente
Sou mais que células, sou gente.
Eu sonho com bola e travessuras,
Discotecagem a noite para ninar,
Fernando Pessoa a questionar,
Aprendizado de amor e amarguras.
O tempo dos curtas encolherá
Suaves leituras tornar-se-ão raras
E recompensarei engatinhando.
Aos poucos balbuciarei gemidos
Levantarei a espinha, abrirei os ouvidos
Serei vocês em mim, perpetuando.
Ave Maria
Amor mudo, maior, agudo
Árvore frondosa, lume, tudo
Frutos verdes, ora maduros
Seiva de alma, ar puro.
Prolífica, educadora, bélica
Cria protegida, viva. Vida.
Sorrisos. Alva flor, colo abrigo.
Mãos de paz, passarinhos.
Salve Maria, mãe amada.
Melhor amiga, abençoada.
Bendita história, imaculada.
Santa mãezinha, dor de saudade
Perseverante, una vontade:
Seguir prudente à sua imagem.
Árvore frondosa, lume, tudo
Frutos verdes, ora maduros
Seiva de alma, ar puro.
Prolífica, educadora, bélica
Cria protegida, viva. Vida.
Sorrisos. Alva flor, colo abrigo.
Mãos de paz, passarinhos.
Salve Maria, mãe amada.
Melhor amiga, abençoada.
Bendita história, imaculada.
Santa mãezinha, dor de saudade
Perseverante, una vontade:
Seguir prudente à sua imagem.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Trajeto
Nas datas de 29 e 30 de julho de 2010 postei uma série de poemas meus antigos. Não posso negar que tenha me causado certo constrangimento fazê-lo. Esses poemas foram escritos em vários e distintos momentos de minha infância, adolescência e limiar da juventude. Muitos outros foram excluídos, por falta de coragem mesmo. Uma infinidade jaz perdida no tempo, infelizmente.
A técnica utilizada é ainda mais rudimentar que a atual. Há muitos erros de toda espécie. Todavia, servem de registro histórico de minha existência, ao menos. Tratam do deslumbramento ante a descoberta do amor e da dor. Do sexo bom, do sexo ruim e suas implicações. Da depressão companheira. Do “excesso” que sou tantas vezes.
Creio que deslumbramento seja a palavra mais apropriada, pois a vida sempre me exerceu um fascínio e um desapontamento dual e perene.
Obrigado àqueles que por aqui passarem e obrigado ao espaço que oportuniza essa exposição e impulsiona meu desenvolvimento pessoal.
A técnica utilizada é ainda mais rudimentar que a atual. Há muitos erros de toda espécie. Todavia, servem de registro histórico de minha existência, ao menos. Tratam do deslumbramento ante a descoberta do amor e da dor. Do sexo bom, do sexo ruim e suas implicações. Da depressão companheira. Do “excesso” que sou tantas vezes.
Creio que deslumbramento seja a palavra mais apropriada, pois a vida sempre me exerceu um fascínio e um desapontamento dual e perene.
Obrigado àqueles que por aqui passarem e obrigado ao espaço que oportuniza essa exposição e impulsiona meu desenvolvimento pessoal.
Soneto à Marcela
Quero dizer precocemente que te amo
E se preciso for arrepender-me de tê-lo dito,
Chorar em prantos minha desventura
Estando certo de ao menos ter vencido.
E se ao matar tal medo me depare
Com um desvairado “sim”, enlouquecido,
Fazer morada eterna em teu ventre
A fim de não ficar desprotegido.
Doar-te em meus braços meus hormônios
E a fúria destes anjos e demônios,
Vivendo a infinitude do momento.
Pra ser somente teu e ser só minha,
Pura, ingênua e terna menininha,
A vida inteira ou o tempo que perdure.
...................................2001.
E se preciso for arrepender-me de tê-lo dito,
Chorar em prantos minha desventura
Estando certo de ao menos ter vencido.
E se ao matar tal medo me depare
Com um desvairado “sim”, enlouquecido,
Fazer morada eterna em teu ventre
A fim de não ficar desprotegido.
Doar-te em meus braços meus hormônios
E a fúria destes anjos e demônios,
Vivendo a infinitude do momento.
Pra ser somente teu e ser só minha,
Pura, ingênua e terna menininha,
A vida inteira ou o tempo que perdure.
...................................2001.
Babélico (Freudiando)
Oboé, Oboé, som dos fortes, oboé
Alma dos dragões celestiais, arrebol
Magma eruptiva do vulcão, coração
Razão que a lava oferta ao viver.
Centelha que anima os movimentos, desejo
Inunda o peito e fere arrefecendo, sofrendo
Num contra-senso ávido e sangrento
Que entona o destom dos sentimentos.
Barragem que estanca os devaneios
Disseminando em fluxo o pensamento
Qual diretriz oposta aos intentos.
Barganha entre a vida e a morte
Denominada amor, luxúria ou sorte
Dum livre privilégio dos detentos.
.......................................2001.
Alma dos dragões celestiais, arrebol
Magma eruptiva do vulcão, coração
Razão que a lava oferta ao viver.
Centelha que anima os movimentos, desejo
Inunda o peito e fere arrefecendo, sofrendo
Num contra-senso ávido e sangrento
Que entona o destom dos sentimentos.
Barragem que estanca os devaneios
Disseminando em fluxo o pensamento
Qual diretriz oposta aos intentos.
Barganha entre a vida e a morte
Denominada amor, luxúria ou sorte
Dum livre privilégio dos detentos.
.......................................2001.
Gozo Diluído (Amantes)
E vendo teu sorriso me desarmo
Esvai-se em mim a ira e restam dons
Esqueço os problemas e pecados
E deixo-me levar por sonhos bons.
Qual parvoíce ou surto, irrequieto
Me dispo das vergonhas que detêm
Encaro em teu abismo um lago aberto
E nado em ti como nunca em outro alguém.
Bebendo teu olhar fico perdido
Embriagado vejo um mundo novo
Razão de toda busca, incessante.
Completa o meu ser adormecido
E dá puro sentido ao termo amante.
Traz gozo diluído a cada instante.
.......................................2001
Esvai-se em mim a ira e restam dons
Esqueço os problemas e pecados
E deixo-me levar por sonhos bons.
Qual parvoíce ou surto, irrequieto
Me dispo das vergonhas que detêm
Encaro em teu abismo um lago aberto
E nado em ti como nunca em outro alguém.
Bebendo teu olhar fico perdido
Embriagado vejo um mundo novo
Razão de toda busca, incessante.
Completa o meu ser adormecido
E dá puro sentido ao termo amante.
Traz gozo diluído a cada instante.
.......................................2001
Vida
Se você me disser por que choro
Dou-lhe meu coração,
Um músculo que agoniza
A cada passo que dá.
Porém, ao descobrir tal mistério
Torna-se responsável por aliviá-lo.
Se entender meus devaneios
Vindos de um perturbado cérebro,
Músculo que se atrofia
Consumindo meu corpo inteiro
Deverá tomar-lhe ao colo
E lhe fazer um cafuné.
Se perceber meu fogo
Pelas marcas do meu sexo
Num músculo que se esconde
Guardado de todo mal
Toma-me por inteiro
Apaziguando a euforia.
Se dominar a todos
Por sua simples presença
Polida, voraz e pura
Com a pele da face nua
E o cheiro da brisa do mar,
_________Faça-me seu.
.............................24-05-2001.
Dou-lhe meu coração,
Um músculo que agoniza
A cada passo que dá.
Porém, ao descobrir tal mistério
Torna-se responsável por aliviá-lo.
Se entender meus devaneios
Vindos de um perturbado cérebro,
Músculo que se atrofia
Consumindo meu corpo inteiro
Deverá tomar-lhe ao colo
E lhe fazer um cafuné.
Se perceber meu fogo
Pelas marcas do meu sexo
Num músculo que se esconde
Guardado de todo mal
Toma-me por inteiro
Apaziguando a euforia.
Se dominar a todos
Por sua simples presença
Polida, voraz e pura
Com a pele da face nua
E o cheiro da brisa do mar,
_________Faça-me seu.
.............................24-05-2001.
TREPIDE
A morte nem sempre oferece medo
A menos que dos nossos entes seja
A vida pode até não ter sentido
Mas torço pelo direito de tê-la.
O mundo está lançado ao léu
Subjugado aos desmandes dos fortes
Os fracos, no desespero vêem o céu
Revoltam-se e entregam o ser à sorte.
Na luta pelo livre pensamento
Travada entre história e sentimentos
Perdemos a essência das pessoas.
Esquecemos no excesso das mortalhas
Os corpos atirados nas fornalhas
Queimando a fé e a vida em vãos momentos.
...........................11-08-2001.
A menos que dos nossos entes seja
A vida pode até não ter sentido
Mas torço pelo direito de tê-la.
O mundo está lançado ao léu
Subjugado aos desmandes dos fortes
Os fracos, no desespero vêem o céu
Revoltam-se e entregam o ser à sorte.
Na luta pelo livre pensamento
Travada entre história e sentimentos
Perdemos a essência das pessoas.
Esquecemos no excesso das mortalhas
Os corpos atirados nas fornalhas
Queimando a fé e a vida em vãos momentos.
...........................11-08-2001.
Dia Bom
Barco, Parto
Nascer, Parir,
Navegar . . .
. . . , Sol,
Praia, Coro,
Beijo, Sexo,
Carinho, Dormir,
Amor, Sexo,
Banho, Café da
Manhã, Praia,
Camarão, Coco,
Cerveja, Beijo
Casa, Banho,
Sexo, Sono,
Televisão, Lanche,
Arrumação, Night,
Bar, Música,
Cerveja, Dança,
Risos, Vida,
Beijos, Passeio,
Brincadeiras, Ancas,
Escada, Malícia,
Casa, Sexo,
Banho, Carinho,
________Sonhos . . .
................................2000
Nascer, Parir,
Navegar . . .
. . . , Sol,
Praia, Coro,
Beijo, Sexo,
Carinho, Dormir,
Amor, Sexo,
Banho, Café da
Manhã, Praia,
Camarão, Coco,
Cerveja, Beijo
Casa, Banho,
Sexo, Sono,
Televisão, Lanche,
Arrumação, Night,
Bar, Música,
Cerveja, Dança,
Risos, Vida,
Beijos, Passeio,
Brincadeiras, Ancas,
Escada, Malícia,
Casa, Sexo,
Banho, Carinho,
________Sonhos . . .
................................2000
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Sem Sentido (Ressentido)
Como um grande pote vazio me sinto
De qualquer sabedoria desprovido
Que à noite ao decepar sua gravata
Depara-se com um insignificante eu.
Tão pobre e inquieto ser pungente
Careço da piedade das pessoas
Aflito me recolho ao sono eterno
Refúgio dos insanos sofredores.
Desta vida solitária e depressiva
Que se alegra à pena alheia dispensada
Ruem risos e sorrisos disfarçantes.
Na berlinda, da loucura à ebriedade,
Dum cotidiano flórido imposto
‘Me demovo’ dessa glória concedida.
........................................2000.
De qualquer sabedoria desprovido
Que à noite ao decepar sua gravata
Depara-se com um insignificante eu.
Tão pobre e inquieto ser pungente
Careço da piedade das pessoas
Aflito me recolho ao sono eterno
Refúgio dos insanos sofredores.
Desta vida solitária e depressiva
Que se alegra à pena alheia dispensada
Ruem risos e sorrisos disfarçantes.
Na berlinda, da loucura à ebriedade,
Dum cotidiano flórido imposto
‘Me demovo’ dessa glória concedida.
........................................2000.
Quadro Paredes
Nas teias de seus braços,
Emaranhados de beijos,
Abraços e pernas trocados
Num canto meio sem jeito.
Vivenciar a loucura
Do gosto de sua presença,
Vestida de deusa nua
Matando minha inocência.
E com olhar fustigante
Me afogando em seus seios
Doar-me a seus devaneios.
Perdido em meio a trejeitos
Num conto apaixonante,
História de dois amantes.
.........................................2001.
Emaranhados de beijos,
Abraços e pernas trocados
Num canto meio sem jeito.
Vivenciar a loucura
Do gosto de sua presença,
Vestida de deusa nua
Matando minha inocência.
E com olhar fustigante
Me afogando em seus seios
Doar-me a seus devaneios.
Perdido em meio a trejeitos
Num conto apaixonante,
História de dois amantes.
.........................................2001.
Ansiolítica
Anseio a ansiedade
Da ânsia que me amedronta,
A espera da novidade
O amor de quem se ama.
Aguardar ansiosamente
A descoberta do novo,
Sacia a chama ardente
Daquele que esconde o fogo.
O medo da derrota,
Do vexame que envergonha
Torna a vida sem graça, enfadonha.
O risco que alimenta, assanha
Apraz a serventia mundana
E dá tesão à vida, humana.
..................................2001
Da ânsia que me amedronta,
A espera da novidade
O amor de quem se ama.
Aguardar ansiosamente
A descoberta do novo,
Sacia a chama ardente
Daquele que esconde o fogo.
O medo da derrota,
Do vexame que envergonha
Torna a vida sem graça, enfadonha.
O risco que alimenta, assanha
Apraz a serventia mundana
E dá tesão à vida, humana.
..................................2001
Soneto do Ciúme Doentio
O porquê de o ciúme ter
Cega a fala, muda o ver
Enlouquece do tolo o âmago
Esmorece o corpo, o estômago.
Xinga, mata, se arrepende
Chora, sofre, se defende
Escorraça a parte amada
Se afoga na cachaça.
Pelo medo da desgraça.
Enxovalha o amor de graça,
Abandona o par perfeito.
Falso moralista nato,
Desde cedo homem macho,
Solitário a vida passa...
......................................1999.
Cega a fala, muda o ver
Enlouquece do tolo o âmago
Esmorece o corpo, o estômago.
Xinga, mata, se arrepende
Chora, sofre, se defende
Escorraça a parte amada
Se afoga na cachaça.
Pelo medo da desgraça.
Enxovalha o amor de graça,
Abandona o par perfeito.
Falso moralista nato,
Desde cedo homem macho,
Solitário a vida passa...
......................................1999.
A verdadeira vida é o sonho
O verdadeiro sonho é a vida
Como posso viver sem sonhar?
Como posso sonhar sem viver?
As lágrimas do meu sonho
São a felicidade de minha vida.
Triste é quem não pode viver nem sonhar,
Triste é que não pode viver nem sonhar como nós vivemos e sonhamos.
..........................................1992 – 13 anos.
O verdadeiro sonho é a vida
Como posso viver sem sonhar?
Como posso sonhar sem viver?
As lágrimas do meu sonho
São a felicidade de minha vida.
Triste é quem não pode viver nem sonhar,
Triste é que não pode viver nem sonhar como nós vivemos e sonhamos.
..........................................1992 – 13 anos.
Um dia sonhei com teu corpo
Sonhei com teu corpo ao meu lado
E tudo expressava carinho
Num sonho que tive acordado.
Sonhando viramos um só
Alma pura e sem pecado
Sonho que tive contigo
Sonho que sonhei ao teu lado.
Na veia de minha vida
Esse sonho ficou marcado
Com o fogo do teu amor
Amor que me foi revelado.
E tenho escrito em minha veia
Por um fogo que ainda incendeia,
O amor que sonhei acordado.
..............................1994 – 15 anos.
Sonhei com teu corpo ao meu lado
E tudo expressava carinho
Num sonho que tive acordado.
Sonhando viramos um só
Alma pura e sem pecado
Sonho que tive contigo
Sonho que sonhei ao teu lado.
Na veia de minha vida
Esse sonho ficou marcado
Com o fogo do teu amor
Amor que me foi revelado.
E tenho escrito em minha veia
Por um fogo que ainda incendeia,
O amor que sonhei acordado.
..............................1994 – 15 anos.
O Amor é um não sei o quê,
Quer arde docemente e
Fere tão contente, que nem
Os mais cegos podem ver.
O Amor é o frio da fogueira,
Numa manhã estrelada
Igual aos contos de fada
Que a geleira incendeia.
É a esperança de um desiludido
O sorriso aberto de um pierrô,
Que na madrugada vive a rotina
E na rotina do dia vive o que sobrou.
....................................................1999.
Quer arde docemente e
Fere tão contente, que nem
Os mais cegos podem ver.
O Amor é o frio da fogueira,
Numa manhã estrelada
Igual aos contos de fada
Que a geleira incendeia.
É a esperança de um desiludido
O sorriso aberto de um pierrô,
Que na madrugada vive a rotina
E na rotina do dia vive o que sobrou.
....................................................1999.
Parto Ausente
Cai a noite, crepúsculo tardio
E a aurora que custa se levanta
Na madrugada, furor, melancolia,
Nasce dia o dia, que a todos nos espanta.
Cresce o fruto que incha o puro ventre
É semente rompendo a terra boa
Barco raso afunda na enchente
Frágeis laços que a brisa rompe à toa.
Sobram cinzas, sequer brasas se vislumbram
Consumindo o papel ao fogo ardente
Das efêmeras fogueiras que iludem.
Faltam braços e abraços protetores
Resta o ser exposto a risos e amargura
Busca eterna ao seguro ancoradouro.
...........................................................2000
E a aurora que custa se levanta
Na madrugada, furor, melancolia,
Nasce dia o dia, que a todos nos espanta.
Cresce o fruto que incha o puro ventre
É semente rompendo a terra boa
Barco raso afunda na enchente
Frágeis laços que a brisa rompe à toa.
Sobram cinzas, sequer brasas se vislumbram
Consumindo o papel ao fogo ardente
Das efêmeras fogueiras que iludem.
Faltam braços e abraços protetores
Resta o ser exposto a risos e amargura
Busca eterna ao seguro ancoradouro.
...........................................................2000
O coração de quem ama é todo feito de carne,
Arde em fogo e clama o corpo que lhe completa,
Qualquer sibilar ao ouvido o ventre em gelo arte,
Perdido de amor em chamas no seio que se revela.
Os lábios tocam o pescoço, sussurram sinceras mentiras,
As mãos se tornam libertas, travando um corpo a corpo,
A boca cala e suga os peitos o ventre e as pernas,
Os dedos já não se aquietam bulindo o corpo d’outro.
........................................................................2001.
Arde em fogo e clama o corpo que lhe completa,
Qualquer sibilar ao ouvido o ventre em gelo arte,
Perdido de amor em chamas no seio que se revela.
Os lábios tocam o pescoço, sussurram sinceras mentiras,
As mãos se tornam libertas, travando um corpo a corpo,
A boca cala e suga os peitos o ventre e as pernas,
Os dedos já não se aquietam bulindo o corpo d’outro.
........................................................................2001.
Dialogando
Quão grande um sopro pode ser?
Mudar o mundo, emudecer. Matar...
Morrer, calar, tornar um cego a ver,
Fazer um homem feito de jeito chorar.
Pequenos atos, descompassados,
A ira que brota à boca fazem germinar,
De um grito mudo, estrondoso,
Angústia rompante a nós vem flertar.
E perco a fome, acabo o jantar
E vejo choro, começo a falar,
Certo ou errado, me arrepender.
E a deixo em casa, magoada,
E sinto-me tolo de o simples não ver.
“Pare o mundo que quero descer”.
...........................................05/11/2001.
Mudar o mundo, emudecer. Matar...
Morrer, calar, tornar um cego a ver,
Fazer um homem feito de jeito chorar.
Pequenos atos, descompassados,
A ira que brota à boca fazem germinar,
De um grito mudo, estrondoso,
Angústia rompante a nós vem flertar.
E perco a fome, acabo o jantar
E vejo choro, começo a falar,
Certo ou errado, me arrepender.
E a deixo em casa, magoada,
E sinto-me tolo de o simples não ver.
“Pare o mundo que quero descer”.
...........................................05/11/2001.
Despedida
Um pedaço de mim fica.
Outro parte.
E essa arte denominada vida pulsa.
E invariavelmente nos conduz à morte.
Pois tudo aquilo que respira sofre.
.........................................Adeus São Paulo.
.................................................21-03-2008
Outro parte.
E essa arte denominada vida pulsa.
E invariavelmente nos conduz à morte.
Pois tudo aquilo que respira sofre.
.........................................Adeus São Paulo.
.................................................21-03-2008
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Perpétua (Imoral)
Versifiquei você
Eternizei meus medos
Truque sutil dos desejos
Chocolate e pasta de avelã.
Versifiquei você
Prima trip in Sacre Couer
Num pub londrinho, ira de março
Três corações despedaçados.
Moça, fostes uma florzinha de plumas
Daquelas de soprar ao vento
Ventania, dor e relento
Sem paz, nostal-melancolia.
Moça, covarde tua tirania,
Não perdoar a vilania minha ,
Tirar-me todo bem que inda tinha.
Eternizei meus medos
Truque sutil dos desejos
Chocolate e pasta de avelã.
Versifiquei você
Prima trip in Sacre Couer
Num pub londrinho, ira de março
Três corações despedaçados.
Moça, fostes uma florzinha de plumas
Daquelas de soprar ao vento
Ventania, dor e relento
Sem paz, nostal-melancolia.
Moça, covarde tua tirania,
Não perdoar a vilania minha ,
Tirar-me todo bem que inda tinha.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Polaróides Mentais
Vejo teu cheiro, enxergo teu gosto,
Ornado teu rosto, retiro teus brincos
E brinco. Brincamos e rimos
Que seria do gozo sem riso? Do desejo sem rima?
Pudores de lado, olhares profundos
Desejos de marte, fraquezas do mundo
Fluídos doces e amargos, tão caros
Cara superação de entrega, despir-se dos medos.
Saltamos! No abismo de teus seios mergulho
Mergulhas tua cabeça em meu peito
Afagos de madeixas, beijos preguiçosos.
Viris. Tomados por uma fúria memorável
Abraçamos rol completo de pecados
Registros indeléveis de prazer.
Ornado teu rosto, retiro teus brincos
E brinco. Brincamos e rimos
Que seria do gozo sem riso? Do desejo sem rima?
Pudores de lado, olhares profundos
Desejos de marte, fraquezas do mundo
Fluídos doces e amargos, tão caros
Cara superação de entrega, despir-se dos medos.
Saltamos! No abismo de teus seios mergulho
Mergulhas tua cabeça em meu peito
Afagos de madeixas, beijos preguiçosos.
Viris. Tomados por uma fúria memorável
Abraçamos rol completo de pecados
Registros indeléveis de prazer.
Postais
Distância certa, propícia, separa-nos
Inquietante equilíbrio que respeita
Em sol irradiante de madeixas
E queixas que igual nos deparamos.
Cheira, a doce fruto e flor de pessegueiro
Esmeraldino olhar desassossega
Forjando pensamentos caridosos
Que frustram o distúrbio dos gracejos.
Um quadro que figura inconsciente
Sutil, malicioso ou inocente
Em dúvidas decotadas tão morais.
Num átimo, daquele viajor que segue errante
Percebo bela foto tão distante
Paisagens de um mundo de postais.
Inquietante equilíbrio que respeita
Em sol irradiante de madeixas
E queixas que igual nos deparamos.
Cheira, a doce fruto e flor de pessegueiro
Esmeraldino olhar desassossega
Forjando pensamentos caridosos
Que frustram o distúrbio dos gracejos.
Um quadro que figura inconsciente
Sutil, malicioso ou inocente
Em dúvidas decotadas tão morais.
Num átimo, daquele viajor que segue errante
Percebo bela foto tão distante
Paisagens de um mundo de postais.
Acaso
Então o acaso nos apresentou
Como um tropeço na sarjeta
Caí de maduro e ri de mim
Sem graça, pois vi você.
E logo percebi que gesticulava
Freneticamente, como máquina
Era descompassada e esquisita
Acaso estava nervosa também.
Fulano falou: - Essa é...
Olhei de soslaio, sem jeito
Estendi a mão, suei frio.
Seus lábios se abriram, secos, colados
Ouvi um gemido: - Prazer
E o prazer foi todo meu.
Como um tropeço na sarjeta
Caí de maduro e ri de mim
Sem graça, pois vi você.
E logo percebi que gesticulava
Freneticamente, como máquina
Era descompassada e esquisita
Acaso estava nervosa também.
Fulano falou: - Essa é...
Olhei de soslaio, sem jeito
Estendi a mão, suei frio.
Seus lábios se abriram, secos, colados
Ouvi um gemido: - Prazer
E o prazer foi todo meu.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Brisa
Sopre. Incessantemente sopre. Suave brisa.
Como sombra em dia quente, água para a sede.
Tornando a messe sustentável, beija-me
Ouvindo distantes os passos incertos do destino.
Fala-me. Cala-te. Dance em mim, ria de nós
Permita-me dar-te o que não possuo,
As certezas que não tenho, medos e anseios.
Junto, colo seguro, ombros firmes e mãos amigas.
Dias ruins, esta minha chatice incurável...
Dias bons, teu sorriso alegre e irritante
Ultrapassem nova aurora, mãos atadas.
Passe o tempo, maturem-se os frutos, seus, meus
Vagarosa e imperceptivelmente, seguindo.
Rascunhos que compõem o biográfico livro da vida.
Como sombra em dia quente, água para a sede.
Tornando a messe sustentável, beija-me
Ouvindo distantes os passos incertos do destino.
Fala-me. Cala-te. Dance em mim, ria de nós
Permita-me dar-te o que não possuo,
As certezas que não tenho, medos e anseios.
Junto, colo seguro, ombros firmes e mãos amigas.
Dias ruins, esta minha chatice incurável...
Dias bons, teu sorriso alegre e irritante
Ultrapassem nova aurora, mãos atadas.
Passe o tempo, maturem-se os frutos, seus, meus
Vagarosa e imperceptivelmente, seguindo.
Rascunhos que compõem o biográfico livro da vida.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Soneto a Defensora da Humanidade
Alva. Pura, breve, ruiva e alva.
Teu nome reflete Justiça e alma
Candura que esconde fervura de lava,
Em lábios vermelhos de paz e de calma.
E os olhos? Belos, confusos e hipnóticos
Tornam inseguro do justo ao hipócrita
Vítreos e imóveis, relembram bonecas
Contemplam e estimam tuas Pipocas.
És, também, busto, pescoço e sardas
Espera-se que venhas e partas
Breve qual bom pressentimento.
Plena. Segura no palco de minissaia
Recato de anjo, perfume que baila
No imaginário que aplaude prazendo.
Teu nome reflete Justiça e alma
Candura que esconde fervura de lava,
Em lábios vermelhos de paz e de calma.
E os olhos? Belos, confusos e hipnóticos
Tornam inseguro do justo ao hipócrita
Vítreos e imóveis, relembram bonecas
Contemplam e estimam tuas Pipocas.
És, também, busto, pescoço e sardas
Espera-se que venhas e partas
Breve qual bom pressentimento.
Plena. Segura no palco de minissaia
Recato de anjo, perfume que baila
No imaginário que aplaude prazendo.
Se eu fosse eu...
Ah se eu fosse eu! Tudo ia ser diferente
Sofreria menos, seria tão sorridente
Traduziria minha inteligência em atos
Usaria mais tênis, menos sapatos.
Ah se eu fosse eu! Com tantos predicados
Teria respostas para o mundo. Reconhecer-me-ia sortudo
De ter um cabedal de possibilidades tão vasto
Que seria impossível entristecer-me sequer um ato.
Ah se eu fosse eu, se eu fosse eu!
Já não seria mais ensimesmado
E irradiaria o fogo roubado por Prometeu.
Não sou mais eu, por isso deixa-me!
Já não possuo certezas do passado,
Estou abnegado: fujo calado aos conselhos seus.
Sofreria menos, seria tão sorridente
Traduziria minha inteligência em atos
Usaria mais tênis, menos sapatos.
Ah se eu fosse eu! Com tantos predicados
Teria respostas para o mundo. Reconhecer-me-ia sortudo
De ter um cabedal de possibilidades tão vasto
Que seria impossível entristecer-me sequer um ato.
Ah se eu fosse eu, se eu fosse eu!
Já não seria mais ensimesmado
E irradiaria o fogo roubado por Prometeu.
Não sou mais eu, por isso deixa-me!
Já não possuo certezas do passado,
Estou abnegado: fujo calado aos conselhos seus.
Réu
Caí. Várias vezes caí.
Ao chão precipitado chorei
Dores e pesares da consciência
Deste conhecido imoral.
Perdi. Na queda perdi moedas e amores
Somei culpas, tristezas e temores
E o ânimo de manter a espinha ereta
Fugiu atado às alegrias preteridas.
Lembranças, cortes, retalhos e feridas
Abertas, purulentas e sofridas
De um que não merece compaixão.
De resto, carpir os anos que sobram de vida
Sementes novas, terra apodrecida
Esperançar brotar Consolação.
Ao chão precipitado chorei
Dores e pesares da consciência
Deste conhecido imoral.
Perdi. Na queda perdi moedas e amores
Somei culpas, tristezas e temores
E o ânimo de manter a espinha ereta
Fugiu atado às alegrias preteridas.
Lembranças, cortes, retalhos e feridas
Abertas, purulentas e sofridas
De um que não merece compaixão.
De resto, carpir os anos que sobram de vida
Sementes novas, terra apodrecida
Esperançar brotar Consolação.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Convalescendo
E de repente o forte se fez fraco
E a fragilidade acalma a rebeldia
Arrefecendo o peito e os batimentos,
Lençóis claros azuis na cama fria.
À prole os heredos são passados,
Em roda a ciranda da família.
Humilde e sensível, sem pecados,
Temente em não ver a luz do dia.
E o sopro do destino encontra a face
Alimentando a chama esmorecida
Um parto novo, a mesma velha vida.
Aos poucos a vaidade se levanta
E ergue corpo e alma sem medida
Qual fênix renascendo adormecida.
E a fragilidade acalma a rebeldia
Arrefecendo o peito e os batimentos,
Lençóis claros azuis na cama fria.
À prole os heredos são passados,
Em roda a ciranda da família.
Humilde e sensível, sem pecados,
Temente em não ver a luz do dia.
E o sopro do destino encontra a face
Alimentando a chama esmorecida
Um parto novo, a mesma velha vida.
Aos poucos a vaidade se levanta
E ergue corpo e alma sem medida
Qual fênix renascendo adormecida.
GRITO
Sou uma poesia incompleta. Um rosto sem traços. Bandeira sem mastro. Vassoura sem palhas. Meu próprio abismo sou eu.
Sou revolta, sou medo, angústia e desprezo, sou pudor, covardia, posso ser todavia o contrário do bom senso, lamento, invento, sustento, que tempo frio...
Onde estou, quem sou, o que faço, passo, rebato, farrapo, opaco e sem cor.
E a pureza, beleza, certeza, encanto, maestria, alegria, soam distante como uma subtônica miudinha.
E então que se exploda o mundo, peguem fogo as realezas, a pureza se dane, que pane, vexame, assim seja.
E depois que acorde em soluços acuado e com remorso, aliviado da dor.
Sou revolta, sou medo, angústia e desprezo, sou pudor, covardia, posso ser todavia o contrário do bom senso, lamento, invento, sustento, que tempo frio...
Onde estou, quem sou, o que faço, passo, rebato, farrapo, opaco e sem cor.
E a pureza, beleza, certeza, encanto, maestria, alegria, soam distante como uma subtônica miudinha.
E então que se exploda o mundo, peguem fogo as realezas, a pureza se dane, que pane, vexame, assim seja.
E depois que acorde em soluços acuado e com remorso, aliviado da dor.
Consuma-me
Qual forja: fogo, ferro e fole, consuma-me.
Finos laços alourados, pêlos e flores do mato, abraça-me.
Armada consistente, teus dentes ao peito
Desejo de luz e dia, rompimento, consuma-me.
Lasciva, esguia, sexualmente infantil;
Fugaz, voraz, imagino, desatino, me oprimo.
Dai força, dai medo, da vida vivida
De sorte que um dia perpetue-se a marca.
E o ontem, o hoje, o de repente
Se ausente e não seja mais que um poente
Da força volátil das atrações.
Por nossas energias, eu fantasia, você ilusão
No véu da inconsistência, pujança fria leva à escuridão
Se for pra ser de fato, do certo ao errado, respondamos então.
Finos laços alourados, pêlos e flores do mato, abraça-me.
Armada consistente, teus dentes ao peito
Desejo de luz e dia, rompimento, consuma-me.
Lasciva, esguia, sexualmente infantil;
Fugaz, voraz, imagino, desatino, me oprimo.
Dai força, dai medo, da vida vivida
De sorte que um dia perpetue-se a marca.
E o ontem, o hoje, o de repente
Se ausente e não seja mais que um poente
Da força volátil das atrações.
Por nossas energias, eu fantasia, você ilusão
No véu da inconsistência, pujança fria leva à escuridão
Se for pra ser de fato, do certo ao errado, respondamos então.
SM
Pesquei cardumes de desejos, beijos e saudades
No jequi do peito, meio sem jeito, guardei isca viva
Não pesco com artificial, meu mal, não minto
Sinto, fisgada forte, do norte, vestida de algodão branco
Serra da Mesa, pescada boa, gente a toa, haja calor
Escorre e sua, escorre e geme, e fere gente com estupor
Se esportiva que valha a fisga e a corrida que se travou
Se for pra cria, levo água fria, gelo e encho meu isopor
Serra da Mesa com voadora passa de pressa bem ligeirão
E deixa junto com esses dias histórias novas pro embornal
Como se antes da pescaria nenhum passado fizesse mal.
Serra da Mesa ai que beleza seus dias quentes, um carnaval
Na quarta feira deixa saudade assumo a farda sem matagal
E de gravata lembro bravatas de uma pescada tão genial.
No jequi do peito, meio sem jeito, guardei isca viva
Não pesco com artificial, meu mal, não minto
Sinto, fisgada forte, do norte, vestida de algodão branco
Serra da Mesa, pescada boa, gente a toa, haja calor
Escorre e sua, escorre e geme, e fere gente com estupor
Se esportiva que valha a fisga e a corrida que se travou
Se for pra cria, levo água fria, gelo e encho meu isopor
Serra da Mesa com voadora passa de pressa bem ligeirão
E deixa junto com esses dias histórias novas pro embornal
Como se antes da pescaria nenhum passado fizesse mal.
Serra da Mesa ai que beleza seus dias quentes, um carnaval
Na quarta feira deixa saudade assumo a farda sem matagal
E de gravata lembro bravatas de uma pescada tão genial.
Resgata-me
Com o fogo da vida quero cauterizar minhas feridas,
Reescrever essa história, incompleta, sentida...
Tomar frente e rédeas, esquecer o passado
Do remorso e da culpa extrair aprendizado.
Se no fundo do poço vi o pior inimigo,
Conhecido se fez o maior dos meus medos
E se lá Sua luz inda pôde tocar-me
É por misericórdia e não merecimento.
Não Lhe peço nada além de confiança,
E pedras capazes de me enrijecer
Permita-me ser andarilho incessante,
Porém, nunca mais, um perdido errante
Um conquistador, em Seu Nome o levante,
Seu filho Lhe roga Faz-me renascer.
Reescrever essa história, incompleta, sentida...
Tomar frente e rédeas, esquecer o passado
Do remorso e da culpa extrair aprendizado.
Se no fundo do poço vi o pior inimigo,
Conhecido se fez o maior dos meus medos
E se lá Sua luz inda pôde tocar-me
É por misericórdia e não merecimento.
Não Lhe peço nada além de confiança,
E pedras capazes de me enrijecer
Permita-me ser andarilho incessante,
Porém, nunca mais, um perdido errante
Um conquistador, em Seu Nome o levante,
Seu filho Lhe roga Faz-me renascer.
Pedaços
Pedaços de você em todo o canto
E canto uma cantiga de saudade
A dor é uma certeza lancinante
Uma ferida aberta, eis a verdade.
Sonhos esfacelados, rotos
Sem pernas, braços ou cabeça
Cabeça que não pára de rever
Os risos e sorrisos do passado.
Fostes a melhor parte de mim
O que me resta agora é piedade
Daqueles que um dia me amavam,
Amavam quando em mim viam você
E hoje só enxergam desespero
Pois há pedaços meus por toda parte.
E canto uma cantiga de saudade
A dor é uma certeza lancinante
Uma ferida aberta, eis a verdade.
Sonhos esfacelados, rotos
Sem pernas, braços ou cabeça
Cabeça que não pára de rever
Os risos e sorrisos do passado.
Fostes a melhor parte de mim
O que me resta agora é piedade
Daqueles que um dia me amavam,
Amavam quando em mim viam você
E hoje só enxergam desespero
Pois há pedaços meus por toda parte.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Soneto de Sá
Olhos de mel. Fios de ovos.
Cabelos e pernas que agradam.
Dentes em desalinho
Mordem meu sossego.
Pequena. Criança. Travessa.
Traz paz aos ruídos constantes
E ri, de mim e de si
E vive prazerosamente simples.
Um coração descompassado
Veste-se de longas arritmias
Com panos floridos de excessiva vida
E baila, como se chuva regasse
O ventre, os seios e a face
Num samba que orna meu peito em avenida.
Cabelos e pernas que agradam.
Dentes em desalinho
Mordem meu sossego.
Pequena. Criança. Travessa.
Traz paz aos ruídos constantes
E ri, de mim e de si
E vive prazerosamente simples.
Um coração descompassado
Veste-se de longas arritmias
Com panos floridos de excessiva vida
E baila, como se chuva regasse
O ventre, os seios e a face
Num samba que orna meu peito em avenida.
Insone ao sono
Insone osculava o papel com pena
Vingava-se de suas desilusões
Matava uma alma, criava um poema
Despida de trapos, sem ambições.
Rompante logrado, uma voz ouvida
Etérea ou profana, pouco importara
Roubada então da noite sofrida
Sibilar no peito que se acalmara.
Alheia e distante, embriagada.
Morrendo precoce, quase infantil
Seus olhos de amêndoas lacrimejavam.
Se pernas e braços fraquejavam
Moral prosseguindo alquebrada
Quão bela mortalha, dormiu.
Vingava-se de suas desilusões
Matava uma alma, criava um poema
Despida de trapos, sem ambições.
Rompante logrado, uma voz ouvida
Etérea ou profana, pouco importara
Roubada então da noite sofrida
Sibilar no peito que se acalmara.
Alheia e distante, embriagada.
Morrendo precoce, quase infantil
Seus olhos de amêndoas lacrimejavam.
Se pernas e braços fraquejavam
Moral prosseguindo alquebrada
Quão bela mortalha, dormiu.
domingo, 17 de agosto de 2008
Suave
Novamente me estendes as mãos,
Bárbaras mãos angelicais
Não te apercebendo as marcas que deixa
Secando lágrimas, cerzindo feridas.
Dissestes a mim: brilhem novamente seus olhos
Mas não te apercebes mesmo, já brilham
Em tua presença brilham como de criança
E sinto-me ternamente abraçado.
Serias tu uma irmã de outrora?
Uma amiga boêmia, uma filha dileta?
Não sei. Insisto não vê-la como mulher.
Tenho medo de ti. Melhor assim, permaneças em teu altar
Pois Santos não são mais que desconhecidos
Que melhor esconderam seus instintos.
Bárbaras mãos angelicais
Não te apercebendo as marcas que deixa
Secando lágrimas, cerzindo feridas.
Dissestes a mim: brilhem novamente seus olhos
Mas não te apercebes mesmo, já brilham
Em tua presença brilham como de criança
E sinto-me ternamente abraçado.
Serias tu uma irmã de outrora?
Uma amiga boêmia, uma filha dileta?
Não sei. Insisto não vê-la como mulher.
Tenho medo de ti. Melhor assim, permaneças em teu altar
Pois Santos não são mais que desconhecidos
Que melhor esconderam seus instintos.
sábado, 17 de maio de 2008
Alegria
Minh’alma abandonou-me,
Fugiu em busca de Alegria
Sentou-se na sarjeta e riu-se de mim
Um corpo vazio e roto.
Onde está você Alegria?
Em quais paragens se encontra?
Devota seu canto a outros ouvidos?
Ou cala-se diante do infortúnio?
Queria sondar-lhe as vestes.
Queria sentir-lhe o cheiro.
Sibilar lembranças em suas orelhas
Rir de você e de mim mesmo.
Ai essa dor aguda no peito,
Afugentou meus amigos
Mandou embora empregos
Fitou em mim um inimigo.
Ai essa ausência de mim
Perdido em meio à multidão
Carrego um fole de lamúrias
Que toca mudo uma toada reticente.
Ninguém mais a ouvir-me
Ninguém mais a influenciar
Sou um corpo vazio
E junto um copo de bar.
Alegria, minha Alegria
Em quais paragens se encontra,
Levando o sol do meu dia?
Pregou em mim uma peça,
Ou viu em mim covardia?
Só me deixou de alento
Uma grande cama tão fria.
Fugiu em busca de Alegria
Sentou-se na sarjeta e riu-se de mim
Um corpo vazio e roto.
Onde está você Alegria?
Em quais paragens se encontra?
Devota seu canto a outros ouvidos?
Ou cala-se diante do infortúnio?
Queria sondar-lhe as vestes.
Queria sentir-lhe o cheiro.
Sibilar lembranças em suas orelhas
Rir de você e de mim mesmo.
Ai essa dor aguda no peito,
Afugentou meus amigos
Mandou embora empregos
Fitou em mim um inimigo.
Ai essa ausência de mim
Perdido em meio à multidão
Carrego um fole de lamúrias
Que toca mudo uma toada reticente.
Ninguém mais a ouvir-me
Ninguém mais a influenciar
Sou um corpo vazio
E junto um copo de bar.
Alegria, minha Alegria
Em quais paragens se encontra,
Levando o sol do meu dia?
Pregou em mim uma peça,
Ou viu em mim covardia?
Só me deixou de alento
Uma grande cama tão fria.
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Essência
Sou feito de barro.
Argila e terra, água e fogo
Tão frágil e tão grosso
Tosco em minhas delicadezas.
.
Sou feito de barro
De uma fornada de pretos e putas
Pobres e viciados, amantes descamisados
Que um dia sonharam ser louça.
.
Da terra vermelha extraí minha fertilidade
Da argila branca e úmida, minha imperfeição moral
Sou feito de barro, pisado e rejeitado
Insólito pedaço, de nada e de vento.
.
Fosse cerâmica, brilharia
Aceitaria minha megalomania
Espelharia riquezas de um meio social urbano
Que foge os olhos às misérias humanas.
.
Sou feito de barro, não mais que barro.
Escarro, suor, molejo e escárnio
Que unidos na marra pelas chamas
Geraram disforme objeto sem função.
.
Fosse de ouro ou prata, envergonharia, talvez
Viveria, talvez. Sorriria, talvez.
Sou feito de barro e aguardo o retorno
Aos grãos que deram forma a histórias tão estranhas.
Argila e terra, água e fogo
Tão frágil e tão grosso
Tosco em minhas delicadezas.
.
Sou feito de barro
De uma fornada de pretos e putas
Pobres e viciados, amantes descamisados
Que um dia sonharam ser louça.
.
Da terra vermelha extraí minha fertilidade
Da argila branca e úmida, minha imperfeição moral
Sou feito de barro, pisado e rejeitado
Insólito pedaço, de nada e de vento.
.
Fosse cerâmica, brilharia
Aceitaria minha megalomania
Espelharia riquezas de um meio social urbano
Que foge os olhos às misérias humanas.
.
Sou feito de barro, não mais que barro.
Escarro, suor, molejo e escárnio
Que unidos na marra pelas chamas
Geraram disforme objeto sem função.
.
Fosse de ouro ou prata, envergonharia, talvez
Viveria, talvez. Sorriria, talvez.
Sou feito de barro e aguardo o retorno
Aos grãos que deram forma a histórias tão estranhas.
terça-feira, 13 de maio de 2008
O poder discricionário na atividade Policial
Este é meu primeiro texto “encomendado” no blog. Meu padrinho nesse processo foi o amigo Aderivaldo, pessoa que admiro desde os idos tempos do colegial quando tomávamos cerveja na Vila Planalto, unidos a outros bambas. Éramos realmente felizes.
O tempo passou e sou colocado a prova com esse desafio. A primeira coisa que faço é pensar: “caramba eu nunca escreveria voluntariamente sobre isso”.
Procuro fazer um retrospecto de minha carreira como advogado, 08 (oito) anos apenas de profissão. Lembro-me que iniciei intrigado pela atuação de uma grande amiga, Dr.ª Anamaria Prates Barroso, Defensora Pública. Ela me levava processos criminais para estudar na faculdade e eu “os fazia” (defesas) pelas madrugadas a dentro, visto que estagiava pela manhã em um local e à tarde em outro.
Idos alguns anos, ficaram as lembranças. Deixei de atuar com Direito Criminal quase que completamente. Clichê, mas o Direito Criminal não me deixou. Tenho amor e ódio pela natureza humana, advindos desses tempos.
Passei a atuar com Direito Administrativo. Descobri que é um irmão siamês do Direito Penal. Sina, eu acho.
Desculpem os que eu decepcionar. Peço a paciência inerente àqueles que avaliam um debutante. Um aprendiz. Segue meu primeiro texto e saibam todos, não é um texto jurídico.
O poder discricionário na atividade Policial
Poderíamos iniciar esse texto falando sobre o primórdio da sociedade, rememorando a renúncia de parcela de soberania individual em prol de uma soberania coletiva, da paz social e da segurança (incolumidade física mesmo) como primeiro bem jurídico tutelado. Quantos pensadores a citar...
Poderíamos falar sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que em dezembro deste ano completa 60 anos (1948-2008). Desta citaríamos o direito a liberdade, vida, segurança pessoal, de não sofrer tratamento degradante ou cruel, etc.
Não seria este, porém, um texto atual de fato. Seria mais um requentado.
Vamos falar então do que é Poder de Polícia primeiro e do que é Poder Discricionário depois, e aí apresentar opinião sobre o tema.
O conceito de Poder de Polícia não se encontra
Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interêsse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de intêresse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. (Redação dada pelo Ato Complementar nº 31, de 28.12.1966)
Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando desempenhado pelo órgão competente nos limites da lei aplicável, com observância do processo legal e, tratando-se de atividade que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou desvio de poder.
Antes de avaliar o texto, observemos seu contexto. Essa Lei foi subscrita por Castello Branco, nosso primeiro presidente Militar, eleito pelo Congresso após o golpe de 1964.
Extraindo excertos, conceitua-se Poder de Polícia a atividade da administração pública que limita ou disciplina direitos, interesses ou liberdade, dentre outros.
Conforme já mencionado, por ser datado de 1966, o CTN foi escrito em uma época ditatorial. Em contrapartida, e abarrotada de melindres, idéias individuais e fundamentalismos, adveio a Constituição Federal de 1988.
Tal Constituição, conforme se vê ao analisarmos suas inúmeras e sucessivas Emendas, cuidou do engessamento do Estado, em especial do Poder Executivo.
Ela que vige e rege, apesar de suas imperfeições, não negando sua extraordinária evolução em pontos importantes, e estabeleceu que tratados internacionais que versem sobre Direitos Humanos são recepcionados no Brasil com força de Emendas Constitucionais.
É a mesma que não admite a pena de trabalhos forçados, que garante ao preso sua integridade moral e física, seu direito de permanecer calado, da prisão somente em flagrante delito ou por ordem judicial fundamentada, a presunção de inocência, a não utilização de provas obtidas por meios ilícitos, o devido processo legal, etc.
Pode não existir antinomia entre as normas, mesmo porque hierarquicamente diferentes. Pode-se acreditar na recepção do artigo 78 do CTN pela CF/88. Porém, não se pode dizer que a interpretação quanto aos limites de atuação policial continue a mesma em sistemas tão antagônicos.
A mens legis da CF/88 reprime o uso da força e assegura o devido processo legal, a prevalência da legalidade estrita. Já o espírito da lei reinante à época do CTN é o mesmo que, posteriormente, em 1969, por intermédio da Emenda Constitucional n.º 1, decretou o “recesso” do Congresso Nacional e conferiu ao Poder Executivo Federal autorização para “legislar sobre todas as matérias, conforme o disposto no § 1º do artigo 2º do Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de
Primaz ressaltar que hoje estamos em um “Estado de Direito”, onde rege o império da Lei, submetendo-se a Ela o próprio Estado.
Nesse novo Estado, que sequer inicia sua adolescência, cabe à Polícia Civil, ser polícia judiciária, apuratória. Já a Polícia Militar destina-se ao policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública, observadas atribuições definidas em Lei, conforme disposto no artigo 144, § 5º, da CF/88.
O que baliza então a atuação dessas polícias? A Lei. A Administração Pública, pelo princípio da legalidade estrita, somente pode agir por determinação ou atribuição legal, ao contrário do particular que pode fazer tudo que não seja vedado por Lei.
A Polícia, conforme se depreende anteriormente, é órgão da Administração Pública que atua como fiscal da observância da Lei pelos indivíduos, em determinada circunscrição de abrangência, declarada também por Lei.
Ocorre, porém, que o legislador não conseguirá prever em sua atividade legiferante, todas as situações possíveis de ocorrer, de forma a normatizá-las.
Então, é concedido ao agente público o discernimento necessário para agir, de acordo com a supremacia do interesse público, dentro dos limites e critérios legais. É a chamada “discricionariedade”, que se traduz na conveniência e oportunidade do agente público quando em ação.
A discricionariedade pressupõe a inexistência absoluta de qualquer desvio de finalidade, ou seja, pressupõe ações desprovidas de paixões individuais, em prol da coletividade.
E é aí que a porca torce o rabo. Émile Durkheim, sociólogo francês revolucionário, discutiu a neutralidade e a imparcialidade humanas quando da observação de fatos sociais. Apesar de seus esforços, é impossível hodiernamente acreditarmos na existência de uma visão imparcial por qualquer que seja, visto que os valores do indivíduo interferem e compõem seu modelo de avaliação.
A neutralidade que se persegue, no entanto, mais próxima possível de perfeição, é que deve ser balizadora do pensamento do agente público. Porém, se cabe a este conferir supremacia ao interesse público, sua neutralidade já nasce deformada e isso fatalmente levará o mesmo a conflitos internos entre o devenir e o agir.
E o que tudo isso tem a ver com a vida prática? Quando somos abordados por um policial que determina uma minuciosa revista em face de suspeita de prática de ato ilícito, estamos sendo objetos de prévio juízo de valor, ainda que remoto, sobre a possibilidade de sermos criminosos.
Tal ato torna-se um ato legítimo na medida em que as circunstâncias e os elementos objetivos determinem a atuação do agente público e tornam-se abuso de autoridade quando provenientes de paixões pessoais naturalmente parciais.
O limite de atuação do agente público deve ser sempre a Lei. E a interpretação da discricionariedade no uso do poder de polícia deve ser pautada pela intervenção mínima do Estado e o respeito absoluto da dignidade humana.
Há flagrante diferença entre o uso de força necessária e o uso de violência. A força assegura a violência degrada.
Não havendo objetivamente risco à atividade policial ou a terceiros, nada justifica uma abordagem policial em via pública com arma
A autoridade vem do exemplo, diz um provérbio chinês. Para se fazer respeitar é preciso se dar ao respeito, dizem nossas mães.
O respeito dessas milícias se conquista pelo estreitamento entre polícia e sociedade. É não ter medo de pedir um auxílio ou uma informação a um policial, pois você sabe que ele é um ser humano revestido pelo poder do estado, poder este por você conferido, para sua própria proteção.
O que limita a discricionariedade no exercício do poder de polícia é a Lei sim. A conveniência e oportunidade devem ser avaliadas de forma sistêmica e observada a Constituição vigente e seus preceitos, sejam eles considerados rígidos ou suaves demais.
A atividade policial é uma atividade honrosa e valorosa. Homens e mulheres de valor engrossam fileiras de agentes públicos que fiscalizando o cumprimento da Lei, primam pela ordem e paz social. Isso é tudo.
Nada de Exterminadores e congêneres. Nada de igualar policiais a bandidos. Nada de desrespeitar homens e mulheres, pais e mães de famílias, policiais ou não, cidadãos comuns, subjugando-os pela utilização indevida de violência.
Não à marginalização das polícias, sim ao respeito à vida!
Como pode o exército, que é responsável pela defesa da pátria e garantia dos preceitos constitucionais (art. 142 da CF) ser igualado a uma força fiscalizatória urbana, que se conceitua como “militares dos Estados”, “forças auxiliares e reserva do exército” (art. 42 c/c § 6º do art 142 da CF)?
Como uma polícia focada na guerra pode atender de forma cortês um cidadão? Como um conceito forjado em épocas e regimes de exceção, reimpressas em 1934, 1946, 1967 e 1969, puderam ainda figurar na Constituição de 1988?
Quando entenderemos que servidores públicos são todos aqueles que, independente de estarem alocados como Juízes, Promotores, Delegados, Policiais, Deputados, Senadores, são pessoas comuns investidas na árdua, porém, sublime tarefa de servir? Servir é prestar serviço. Servidor público é aquele que presta serviço ao público, sem mesuras quaisquer.
É necessária a normatização da abordagem policial padrão. A normatização do uso de algemas. A normatização do procedimento de revista não violenta. A profissionalização de fato das polícias.
A meu ver, para que sejamos realmente melhores é preciso que o conceito de autoridade desapareça e que esse seja substituído pelo conceito de serviço.
Etimologicamente a palavra polícia vem do grego politeia, governo de uma cidade, de uma polis. Assim, Polícia é a representação do governante nas ruas e ninguém vota ou apóia um político violento... Pensemos nisso. Que políticos e polícia queremos?
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